Escrito por Leonardo Garbossa, -Crônicas, -Contos Leonardo Garbossa Escrito por Leonardo Garbossa, -Crônicas, -Contos Leonardo Garbossa

Floresta

Dentro dos domínios pungentes da sanidade, me perco por inteiro. A eterna precipitação das cinzas assenta-se em camadas cada vez mais grossas sobre o solo,…

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Dentro dos domínios pungentes da sanidade, me perco por inteiro.

A eterna precipitação das cinzas assenta-se em camadas cada vez mais grossas sobre o solo, encobrindo qualquer vestígio de vida. Nesta floresta monocromática somente a eternidade e a amargura permanecem.

Negras, carbonizadas, jazem as árvores. Emissárias da degeneração infindável e moradia daqueles que desistem de buscar os limites da Floresta.

Em movimento, as cinzas não condensam, mas basta um único segundo inerte para sentir o ímpeto lúgubre da ruína que recai sobre tudo.

Aqui, firmo eu, meus pés, sitiado entre o intérmino vazio e o descorado solo que se compõe.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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Vinho

Novamente sinto o sabor pecaminoso em seus lábios vitrais. Como um beijo seco recebo em meu âmago a doçura ébria que somente teu…

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Novamente sinto o sabor pecaminoso em seus lábios vitrais. Como um beijo seco recebo em meu âmago a doçura ébria que somente teu corpo esguio pode fornecer. Meu corpo, por sua vez, é arrebatado pela serenidade, como se cada músculo, cada tecido, cada ínfima parte de meu ser deixasse cair ao chão o fardo que carregou por toda a vida.

Oh doce brandura, trajada em belo vestido tinto, basta somente um gole audacioso para que o armistício para com as adversidades tenha início.

Em sua metade já me deixei abater por sua insensatez. Em sua completude me entrego por inteiro aos seus desejos.

Texto publicado na 4ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de abril de 2024. → Ler edição completa

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