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O Sonho

Sonhei que caminhava | Por longo bosque escuro | E o vento mui soprava | Nas breves, vãs, clareiras | Ardores inseguros…

Arte de Glauco Moura

Sonhei que caminhava
Por longo bosque escuro
E o vento mui soprava
Nas breves, vãs, clareiras
Ardores inseguros
E ao longe, nas figueiras
Fulgia — estranhamente,
Igual aos astros puros
Um algo dissidente;

Bem lá, andarilhando
À frente sem parar
Que próxima, brilhando
Àquilo, então, cheguei
As copas a abaular
E a névoa reparei
Somente e nada mais
À frente a m’esperar
O espelho dos vestais;

Não sei como eu sabia
Nem como estou lembrando
Pois nele eu só me via
Em pálida paisagem
Com asas e chorando
Refém de brusca aragem
Semblante turvo e aflito
Olhar pequeno e brando
Soneto nunca escrito.

Poesia publicada na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa

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Void

De tudo o fim somente é garantia, | Certeza inevitável do incompleto — |  Um fio de luz que haja, e, sem saídas, | Retorna…

Arte de Glauco Moura

De tudo o fim somente é garantia,
Certeza inevitável do incompleto — 
Um fio de luz que haja, e, sem saídas,
Retorna ele a seguir ao ponto zero.

Um prêmio antes mesmo da conquista,
Fortuna a todos paga (sempre a crédito):
Poder ambicionar enquanto as vistas
Conseguem distinguir se longe ou perto…

Nas imaginações um ominoso
Destino, solitário, pesaroso — 
Razão deste desvio que dele fazem…

Talvez, amor à própria natureza;
Um tipo de resguardo, de defesa,
Temendo o vir a ser de algo que acabe…

Soneto publicado na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa
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Pax Romana

As mulheres e crianças liberdade receberam | Podendo viver, livres, sem receio; | Pedra seus corações se tornaram, | Na cidade onde os homens nada falam…

Arte de Glauco Moura

As mulheres e crianças liberdade receberam
Podendo viver, livres, sem receio;
Pedra seus corações se tornaram,
Na cidade onde os homens nada falam

Bocas rosadas e juvenis contam
Histórias antigas suas narrativas remontam
O doce sono da morte embalam
Na cidade onde os homens nada falam

O silêncio pútrefo impera regente
No coração de um movimento final, emergente
Solo bélico que poucos tocaram
Na cidade onde os homens nada falam

Por guerras sem sentido a trama fora marcada
Um clássico de frieza rebuscada;
O desejo e a destruição se calam
Na cidade onde os homens nada falam.

Poesia publicada na 1ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de janeiro de 2024. → Ler edição completa

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