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Um rosto trágico III

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida | Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação | Em volta, apenas olhos, viaturas; | No ar, a curiosa exclamação:…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Dobrado, na sarjeta cinza e úmida
Jazia o corpo: inerte, a sós… De ação
Em volta, apenas olhos, viaturas;
No ar, a curiosa exclamação:

“Coragem pra saltar daquela altura!”
Diziam, como se a motivação 
Daquela agora morta “criatura”
Passasse por igual preocupação…

Quem visse em vida o homem — já extinto,
Vagando qual anônimo indigente —,
Incerto é que previsse aquele estado…

Ainda mais depois de ver sorrindo
A face no retrato adolescente
(Achado no seu bolso), acompanhado…

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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Um rosto trágico II

De viés, sutil, no canto da avenida, | Entre os gritos e a pressa dos passantes, | Vê-se a figura triste, e num instante | Ela desaparece, na surdina…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

De viés, sutil, no canto da avenida,
Entre os gritos e a pressa dos passantes,
Vê-se a figura triste, e num instante
Ela desaparece, na surdina.

Corre junto à calçada, sempre avante;
Qual fuga de um ladrão, vai rua acima;
Detém-se então cansado; numa esquina
Tem agitado o peito, angustiante.

Resulta ali a dor de tantos dias,
A decisão que teve agora, enfim,
Depois de resistir por tantas vezes...

Não quis nem optar por outras vias:
Subiu no prédio… acaba tudo assim,
Com trinta e poucos anos e alguns meses.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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Um rosto trágico I

Melancolicamente, ele saiu... | Precisava comer alguma coisa… | Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça, | Por favor… meu estômago vazio...

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Melancolicamente, ele saiu...
Precisava comer alguma coisa…
Achou um bar, entrou... sussurrou: "moça,
Por favor… meu estômago vazio...

Faz dias que eu não como... nem me mexo...
É como se uma sombra me impedisse,
Como se um ser maligno em casa eu visse,
E me dissesse que comer não devo..."

A mulher o escutava com assombro,
E ao fim daquela inusitada história
Entregou a ele um pouco de comida;

Ao vê-lo sair, estranhou seus ombros...
A postura inclinada de suas costas
Era a de alguém pisado pela vida…

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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