Escrito por Leonardo Garbossa, -Prosa Poética Leonardo Garbossa Escrito por Leonardo Garbossa, -Prosa Poética Leonardo Garbossa

Rainha

Que tipo de presa seria, oh nobre e cruel rainha, se me entregasse por completo aos teus lascivos caprichos? Que tipo de serva seria se buscasse tua boca…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Que tipo de presa seria, oh nobre e cruel rainha, se me entregasse por completo aos teus lascivos caprichos? Que tipo de serva seria se buscasse tua boca, perigosa, cruel, ácida e ávida, ao invés de buscar proteção? Sou vítima, sim, de seus feitiços e encantos, mas uma vítima desejosa em satisfazê-la.

Gostaria de me deitar sobre tua pele, branca como a morte, fria como gelo, e deleitar-me com tua doçura mortífera e devastadora. Que sou para ti? Uma filha, escrava ou amante? Não vim ao mundo pelo teu ventre, que há muito não cultiva mais vida, mas sinto em meu cerne que derivo de vossa vontade.

Como, questiono repetidamente, exala tamanho vigor e luxúria, enquanto veste o manto da incompreensão e da impenetrabilidade? Sinto um medo visceral, íntimo, quase vivo, que desafia meus mais preciosos instintos de preservação.

Me busca com sua língua macia, como se soubesse decifrar meu dialeto, me lendo por inteira com seus dedos úmidos e impiedosos.

A noite é nossa casa, a escuridão nosso lar, e da mesma forma que o dia nasce, nosso amor também findará um dia.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa

Leia mais desta autoria:

bloco de sumário
O bloco ainda não tem conteúdo. Os itens que você adicionar à página associada ao bloco aparecerão aqui.
Leia mais