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Sepulcral

Profundo silêncio entre os vestígios de vida sob o manto da madrugada. Se somente vozes fossem ouvidas, o que elas diriam? Com quem se confessariam?…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Profundo silêncio entre os vestígios de vida sob o manto da madrugada. Se somente vozes fossem ouvidas, o que elas diriam? Com quem se confessariam? Pecados apagados como arte herege dos templos de um deus-demônio de alguma religião morta, como de fato são todas as religiões.

Não sinto o chamado do fogo, nem o canto do vento, mas escuto o ressoar de asas e risos quase infantis emergindo das sombras. Queria poder viver em seus olhos de novo. Percorrer com meus tentáculos sua pele de novo. Mas o tempo, tão morto como morto é o desejo na rotina, é imparável.

Quebram os sinos da antiga catedral com seus bancos empoeirados, e sua congregação de fantasmas cantando em coro o hino das lamentações. O que dizer a uma mãe cujo filho está em pedaços em seus braços? O que dizer a um anjo irado na iminência de fazer arder uma cidade? 

O fim de todas as coisas é inevitável, por vezes até desejado, entre mentiras banais e verdades inconvenientes temos somente a certeza da passagem.

Eu te amo, eu te odeio, você atravessa minha janela fechada e arrasta as velhas cadeiras me acordando à noite. Sinto o cheiro da sua pele e seu hálito frio no meu rosto. Dançando sobre os retalhos de meus sonhos, velhos sonhos, misturados com vestígio de uma vida que não tive, de uma existência inventada

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa
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Escrito por Leonardo Garbossa, -Prosa Poética Leonardo Garbossa Escrito por Leonardo Garbossa, -Prosa Poética Leonardo Garbossa

Rainha

Que tipo de presa seria, oh nobre e cruel rainha, se me entregasse por completo aos teus lascivos caprichos? Que tipo de serva seria se buscasse tua boca…

Imagem criada por Sara Melissa de Azevedo para o Castelo Drácula, com Midjourney

Que tipo de presa seria, oh nobre e cruel rainha, se me entregasse por completo aos teus lascivos caprichos? Que tipo de serva seria se buscasse tua boca, perigosa, cruel, ácida e ávida, ao invés de buscar proteção? Sou vítima, sim, de seus feitiços e encantos, mas uma vítima desejosa em satisfazê-la.

Gostaria de me deitar sobre tua pele, branca como a morte, fria como gelo, e deleitar-me com tua doçura mortífera e devastadora. Que sou para ti? Uma filha, escrava ou amante? Não vim ao mundo pelo teu ventre, que há muito não cultiva mais vida, mas sinto em meu cerne que derivo de vossa vontade.

Como, questiono repetidamente, exala tamanho vigor e luxúria, enquanto veste o manto da incompreensão e da impenetrabilidade? Sinto um medo visceral, íntimo, quase vivo, que desafia meus mais preciosos instintos de preservação.

Me busca com sua língua macia, como se soubesse decifrar meu dialeto, me lendo por inteira com seus dedos úmidos e impiedosos.

A noite é nossa casa, a escuridão nosso lar, e da mesma forma que o dia nasce, nosso amor também findará um dia.

Texto publicado na 5ª edição de publicações do Castelo Drácula. Datado de maio de 2024. → Ler edição completa

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