Edição 16 — O Horror, o Oceano, as Correntes da Morte

A ambígua ponte entre o insólito perturbador e o fascínio misterioso.

Sob o jugo da escuridão abíssica, o domínio da noite se ergue e as correntes do medo arrastam-se nas pedras da solidão. As trevas fundem-se ao lume rarefeito d’um alvor nunca contíguo e a névoa ondulada o difunde, tecendo um caminho na fosca bruma índigo-cinérea, escurecida e perolada. Esta edição é a ponte entre o medo e o fascínio, a prisão e a liberdade. 

Uma fulgida poeira paira no ar e tudo é vazio. O silêncio umbrífero tem um cântico melancólico, quiçá seus murmúrios sejam complexos demais para vir aos tímpanos de forma comum, no entanto, ao atravessá-los, sutil em sua crueldade, destina-se a levar a plácida loucura àqueles que ousam atravessar essa ponte ambígua. Ou, talvez, somente mais medo e mais solidão.

Erga teus olhos e veja a imensidão estrelada, uma estranha aurora boreal n’um azul-petróleo aclarado faz uma cinesia misteriosa. Os ares são insólitos, a lua está em eclipse contínuo. Esta ambiência é úmida, inclemente — decerto álgida e, portanto, aterradora. O arrepio curva tua coluna, vem do centro da espinha dorsal.

Sahra Melihssa

Escritora e Poetisa, formada em Psicologia Fenomenológica Existencial e autora dos livros “Sonetos Múrmuros” e “Sete Abismos”. Sou Anfitriã do projeto Castelo Drácula e minha literatura é rara, excêntrica e inigualável. Meu vocábulo é lapidado, minha literatura é lânguida e mágica, dedico-me à escrita há mais de 20 anos e denomino-a “Morlírica”. Na alcova de meu erotismo, exploro o frenesi da dor e do prazer, do amor e da melancolia; envolvendo meus leitores em um imersivo deleite — apaixonada pelo tema, criei Lasciven para publicar autores que compartilham dessa paixão. No túmulo de meus escritos, desvelo um terror, horror e mistério ímpares, cheios de profundidade psicológica e de poética absurda — é como uma valsa com a morte. Ler-me é uma experiência, uma vivência para além da leitura em si mesma; e eu te convido a se permitir fascinar.

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