Edição 16 — O Horror, o Oceano, as Correntes da Morte
Sob o jugo da escuridão abíssica, o domínio da noite se ergue e as correntes do medo arrastam-se…
A ambígua ponte entre o insólito perturbador e o fascínio misterioso.
Sob o jugo da escuridão abíssica, o domínio da noite se ergue e as correntes do medo arrastam-se nas pedras da solidão. As trevas fundem-se ao lume rarefeito d’um alvor nunca contíguo e a névoa ondulada o difunde, tecendo um caminho na fosca bruma índigo-cinérea, escurecida e perolada. Esta edição é a ponte entre o medo e o fascínio, a prisão e a liberdade.
Uma fulgida poeira paira no ar e tudo é vazio. O silêncio umbrífero tem um cântico melancólico, quiçá seus murmúrios sejam complexos demais para vir aos tímpanos de forma comum, no entanto, ao atravessá-los, sutil em sua crueldade, destina-se a levar a plácida loucura àqueles que ousam atravessar essa ponte ambígua. Ou, talvez, somente mais medo e mais solidão.
Erga teus olhos e veja a imensidão estrelada, uma estranha aurora boreal n’um azul-petróleo aclarado faz uma cinesia misteriosa. Os ares são insólitos, a lua está em eclipse contínuo. Esta ambiência é úmida, inclemente — decerto álgida e, portanto, aterradora. O arrepio curva tua coluna, vem do centro da espinha dorsal.